O diretor-adjunto da Penitenciária Regional de São Mateus (PRSM), Gilmar Rodrigues de Almeida, participou da sessão ordinária da Câmara nesta terça-feira (29), relatando aos parlamentares a oferta de projetos realizados com os internos, coordenados pela Secretaria de Estado da Justiça – SEJUS e outros órgãos governamentais, com a colaboração efetiva de entidades como a Caritas Diocesana de São Mateus e igrejas evangélicas. 

De acordo com Gilmar, que fez uso da tribuna livre a pedido da vereadora Ciety Cerqueira à Mesa Diretora, as experiências bem-sucedidas contribuem para a ressocialização de detentos da unidade prisional. 

Presos de bom comportamento, tanto da aula masculina quanto feminina, participam de aulas de formação escolar, cursos profissionalizantes, palestras, artesanato, produção agrícola, hortas terapêuticas, leitura literária, estudo da bíblica e curso de Teologia, visto que a Lei de Execução Penal prevê assistência religiosa, com liberdade de culto, aos internos do sistema prisional. 

ARTESANATO NA ALA FEMININA 

O diretor-adjunto, que esteve no plenário, acompanhado do agente penitenciário Davi Gonçalves Samora, presenteou o parlamento com peças de artesanato produzidas por detentas do projeto ‘Retirando os sonhos da caixa’. Elas utilizam materiais reaproveitáveis como tecido e papelão para fabricar embalagens de presente. Gilmar destacou, também a inclusão de internos portadores de deficiência física. Cadeirantes trabalham na fabricação de envelopes. 

Segundo o dirigente, muitas atividades foram reduzidas por conta da pandemia, mas o trabalho não parou. 

Dentre as práticas, citou o curso de cabeleireiro e de violão e destacou a oportunidade de formação religiosa. “10 presos fazem curso de Teologia ministrado pela 9ª Igreja Batista de Guriri”.  Considerado um dos projetos mais importantes, o ‘Semeando a Liberdade’, desenvolvido em parceria com a Caritas Diocesana, proporciona aos internos a chance de lidar com a terra e de consumir os alimentos que eles mesmos produzem. “Os detentos cultivam maracujá, banana, aroeira e café, em um terreno ao lado do presídio”, explicou. 

“É um belo trabalho de ressocialização dos presos. Inclusive, ajudamos a interceder para aquisição de mudas de aroeira”, afirmou o vereador Carlinho Simião.

Além da possibilidade de reduzir o tempo de prisão através do trabalho, pode-se reduzi-lo através da leitura. A cada livro lido o detento produz uma resenha, que é avaliada pelo juiz da Execução. A cada resenha produzida é possível remir três dias da pena. “Muitos conhecem o que é feito lá, de ouvir falar. O ideal é visitarem para ver o que está acontecendo”, disse Gilmar. 

“É um trabalho social com os presos em São Mateus. Eu vejo o respeito. Vocês fazem um trabalho de excelência”, afirmou o vereador Robertinho de Assis. 

“Visitei a penitenciária e observei a organização, a limpeza, tudo feito pelos detentos. Vi um respeito muito grande dos presos aos profissionais que ali trabalham. Quando os detentos saírem de lá, serão pessoas que vão contribuir muito para a nossa sociedade”. 

Evangélico, o vereador Delermano Suim considerou importante a ajuda espiritual que os detentos recebem das igrejas. “É um projeto fundamental na vida dos internos. Muitas vidas vão sair dali transformadas”. 

“É fundamental esse trabalho desenvolvido com o preso, que tem a oportunidade de sair de lá uma pessoa preparada para o recomeço, para viver na sociedade”, ressaltou o vereador Adeci de Sena. 

“É um trabalho espetacular que faz a ressocialização do ser humano. Estão aí os frutos destas iniciativas de extrema importância para que eles possam, quando deixarem a prisão, voltar à normalidade perante a sociedade”, disse o presidente Paulo Fundão.